segunda-feira, 11 de março de 2019

Não pago por palestra espírita na internet

Estimados amigos,
Alguns companheiros, no momento atual, estão iniciando uma prática que não está de acordo com a Doutrina Espírita.
Refiro-me à cobrança por palestras filmadas e disponibilizadas, de várias maneiras, na internet, nos moldes do Netflix, Crackle, Prime, GloboPlay, TeleCinePlay, etc, bem como a tentativa de monetização de vídeos de palestras pelo YouTube.
A alegação para tal cobrança é de que os recursos serão utilizados para dar continuidade aos seus trabalhos, na instituição a que são filiados.
Abaixo explico porque tais argumentos não devem prosperar:
Segundo Emmanuel a maior caridade que podemos fazer para o Espiritismo é a sua divulgação.
Se Jesus estivesse encarnado hoje, com certeza utilizaria, também, a internet para difundir os seus ensinos de forma abrangente, por todo o mundo e gratuitamente, porque eu não imagino Jesus cobrando por seus ensinos.
“Toda a prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do Evangelho: Dai de graça o que de graça recebestes” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 26).
“Os médiuns atuais - pois que também os apóstolos tinham mediunidade - igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição dos que pranteio, porque sou pobre. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 26, item 7)
Se alguma instituição necessita de recursos deve pedir aos seus associados ou simpatizantes as doações necessárias para a execução de seus projetos, ou vendendo livros, dvd, produtos oriundos do artesanato da casa.
Sendo bem prático e honesto:
- um domínio na internet, que é o nome do site, custa atualmente R$ 35,00 por ano, sendo que no primeiro ano custa apenas R$ 6,99;
- a hospedagem do site na internet, tem o custo, em provedores de alta qualidade R$ 300,00 por ano (a hospedagem é onde o usuário deposita todo o conteúdo do seu site);
- agora se você deseja colocar seu vídeo no YouTube, melhora ainda mais, porque  é totalmente de graça. Você faz um canal ou mais sem necessitar pagar nada;
- hoje você pode filmar uma palestra até com celular e a filmagem fica excelente e depois pode pedir a qualquer jovem de sua instituição para fazer as edições com programas gratuitos, coloca na Internet e pronto;
Ou seja, não é dispendioso fazer este trabalho, basta ter vontade e mãos operosas para o trabalho, porque como nós vimos o custo de tudo isso fica por ano em cerca de R$ 350,00, lembrando que se optar pelo YouTube é totalmente de graça.
A Palestra é disseminação do Evangelho, inspirada pelos mentores espirituais. Podemos cobrar? Já vimos que não. “Toda a prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do Evangelho: Dai de graça o que de graça recebestes” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 26).
Ainda alguns dão a desculpa do custo na produção dos vídeos, mas qualquer adolescente dessas instituições, hoje em dia, faz edições primorosas com os recursos existentes.
Compreendo a posição de alguns que, por falta de conhecimento, estão sendo enredados por outros companheiros e se deixam levar por esta atitude desleal da cobrança, manchando o nome do Espiritismo.
Jesus não cobraria nem um centavo, por nenhuma palestra dele. Nem ele e nem seus apóstolos. Certamente ele não diria: - Este conteúdo é para pagantes e este conteúdo é para não pagantes, ou,  ainda, acesse esse conteúdo por R$ 19,99.
Lembremos que a remuneração da maioria da população que tem acesso a internet gira em torno de R$ 1.000,00, com os quais tem que arcar com vestimenta, energia elétrica, água, aluguel, medicamentos, comida, etc e num orçamento destes gastar R$ 25,00 por mês para acesso a religião, que deve ser gratuita, faz muita diferença;
Como exemplo, vou lembrar que os evangélicos, em uma de suas principais denominações, tem site totalmente gratuito com tv e palestras em diversas categorias (http://www.tvcpad.com.br/). Os católicos da mesma forma (http://www.respostacatolica.com.br/) com um site que tem 1.964 vídeos totalmente de graça. Dei apenas um exemplo de cada.
E nós espíritas indo na direção contrária. Imagine a repercussão no plano espiritual dessas decisões infelizes.
O espírita de baixa renda necessita também, assim como o mais abastado, de ter acesso a boas palestras sem ter a necessidade de pagar.
Nosso Estimado Divaldo Franco nos falou que devemos chegar aos “invisíveis” da sociedade (humildes, sem conhecimento de religião, etc). Chegaremos até eles como? Cobrando?
A internet é o maior meio de divulgação evangélico/espiritual que nós temos atualmente.
Vamos mais sério agora: nestes mesmos veículos de informação, especialmente redes sociais na Internet e páginas que oferecem conteúdo de todas as naturezas, inclusive sobre drogas e sexo, são oferecidos conteúdos sem nenhum custo para o visitante.
De forma totalmente gratuita nós vamos encontrar músicas sem conteúdo, oferecidas pelas próprias gravadoras, com 1,5 bilhão de visualizações por música, filmes pornográficos, também gratuitos, chegando facilmente a 50 milhões de visualizações e palestras espíritas, que "quando  muito vistas” chegam a 25 mil visualizações.
Ou seja, é muito mais fácil assistir um vídeo pornográico ou outro material de baixa qualidade, que é disseminado por vários canais ao mesmo tempo, do que assistir a um vídeo espírita, que muitas vezes estão em canais que cobram para se ter acesso a eles.
O prejuízo  causado é de todo o Movimento Espírita, mas com relação a isso cada qual dará conta de sua administração a Deus.
Devemos professar o que pregamos, e fazer o que nós professamos, para não ser letra morta naquilo que escrevemos ou palavras vazias, naquilo que falamos.
Estes pequenos textos, extraídos do livro Entrega-te a Deus (1ª Ed, 2010) do Espírito Joanna de Ângelis, psicografado pelo médium Divaldo Franco, são muito valiosos para o momento:
"Ante a avalanche de obras de degradação humana, de vulgaridade e de banalização da vida e dos valores morais, torna-se necessário que se encontrem obras que possam diminuir o efeito pernicioso daquelas que corrompem e ensandecem." (pag 13)
"Com as facilidades adquiridas pelas conquistas da ciência e da tecnologia, que tornaram o mundo uma aldeia global, conforme se referem muitos comunicadores, os obstáculos ao bem estão sendo diluídos pelos recursos advindos desses notáveis instrumentos, especialmente os de natureza virtual..." (pag 112)
Aí eu acrescento também, se o mal vem da Internet, devemos diluí-lo também pela Internet. Se o mal vem de graça, o bem também deve vir de graça.
Se a instituição necessita de recursos financeiros deve solicitá-lo aos seus integrantes, mas não deve vender a palestra, que é a mensagem evangélica.
A mensagem evangélica deve ser divulgada ao máximo em todos e quaisquer canais, pois, caso contrário, estaríamos fazendo como a Igreja Católica fez no passado, ao permitir que somente “alguns” tivessem acesso aos livros da Bíblia.
A mensagem evangélica, na internet, não é para ser vendida, principalmente porque a internet é o maior meio de divulgação que nós temos atualmente. É como se fosse a voz de Jesus ecoando em todos os campos do mundo.
Jesus não distinguiu conteúdo do evangelho para pagantes e para não pagantes.
Para mim essas ideias de cobrança não são dos atuais missionários espíritas, mas de seus auxiliares que conhecem tecnologia, mas não tem conhecimento humano nem vivência espiritual suficientes e acabam arrastando e maculando o nome dos verdadeiros religiosos que são empurrados por estes caminhos sem saber.
Neste momento de transição planetária, em que nós estamos chegando a um mundo de regeneração, será assim o meio correto de divulgar a Doutrina Espírita?
Por isso faço doações, mas não pago por palestra espírita na internet
Ao final, deixo um abraço fraterno e reproduzo as lições de Emmanuel, no livro Vinha de Luz, quando se refere a esse assunto na lição de nº 53, intitulada “Na pregação”.
Renato Siqueira
(renatosiqueira22@gmail.com)

“Eu de muito boa-vontade gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado.” – Paulo. (2ª Epístola aos Coríntios, 12:15.)
Há numerosos companheiros da pregação salvacionista que, de bom grado, se elevam a tribunas douradas, discorrendo preciosamente sobre os méritos da bondade e da fé, mas, se convidados a contribuir nas boas obras, sentem-se feridos na bolsa e recuam apressados, sob disparatadas alegações.
Impedimentos mil lhes proíbem o exercício da caridade e afastam-se para diferentes setores, onde a boa doutrina lhes não constitua incômodo à vida calma.
Efetivamente, no entanto, na prática legítima do Evangelho não nos cabe apenas gastar o que temos, mas também dar do que somos.
Não basta derramar o cofre e solucionar questões ligadas à experiência do corpo.
É imprescindível darmo-nos, através do suor da colaboração e do esforço espontâneo na solidariedade, para atender, substancialmente, as nossas obrigações primárias, à frente do Cristo.
Quem, de algum modo, não se empenha a benefício dos companheiros, apenas conhece as lições do Alto nos círculos da palavra.
Muita gente espera o amor alheio, a fim de amar, quando tal atitude somente significa dilação nos empreendimentos santificadores que nos competem.
Quem ajuda e sofre por devoção à Boa Nova, recolhe suprimentos celestes de força para agir no progresso geral.
Lembremo-nos de que Jesus não só cedeu, em favor de todos, quanto poderia reter em seu próprio benefício, mas igualmente fez a doação de si mesmo pela elevação comum.
Pregadores que não gastam e nem se gastam pelo engrandecimento das idéias redentoras do Cristianismo são orquídeas do Evangelho sobre o apoio problemático das possibilidades alheias; mas aquele que ensina e exemplifica, aprendendo a sacrificar-se pelo erguimento de todos, é a árvore robusta do Eterno Bem, manifestando o Senhor no solo rico da verdadeira fraternidade.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O que o espiritismo diz sobre o poliamor?

O que o espiritismo diz sobre o poliamor?

Enviado em 22 de junho de 2017 | Publicado por Rádio Boa Nova 

Questões ligadas aos relacionamentos sempre chamam as atenções nas redes sociais. E um exemplo, é a questão do “poliamor”, que significa poli (muitos ou vários) e amor, ou seja, é a prática, o desejo de ter mais de uma pessoa no relacionamento.
No poliamor, que já foi adotado em muitos países, como por exemplo, Brasil; Estados Unidos; Reino Unido é permitido se relacionar com duas ou mais pessoas de maneira consensual, transparente e ética. Muitos que defendem este tipo de relação dizem que é diferente do relacionamento aberto, que permite que o parceiro se envolva com outras pessoas fora da relação.
Enquanto o relacionamento aberto é baseado em encontros casuais, não duradouros, sem compromisso. No poliamor, existe o compromisso real e consentido entre os casais, com isso, não há espaço para mentiras.
E como o espiritismo trata dessa questão?
A doutrina espírita fala sobre a monogamia e da poligamia.Confira:
Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, é mais conforme à lei natural?
Resposta: A poligamia é uma lei humana, cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há verdadeira afeição: não há mais do que sensualidade. (Questão 701, de O Livro dos Espíritos)
Comentário de Kardec:  Se a poligamia estivesse de acordo com a lei natural devia ser universal, o que, entretanto, seria materialmente impossível em virtude da igualdade numérica dos sexos.
A poligamia deve ser considerada como um uso ou uma legislação particular apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamento social fará desaparecer pouco a pouco.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Nascimento de Allan Kardec

Hippolyte Léon Denizard Rivail, Allan Kardec, nascido em 3 de outubro de 1804, em Lyon, na França, realizou a tarefa missionária de codificar, isto é, apresentar em livros, metódica, didática e logicamente organizados, comentados e explicados, os postulados da Doutrina Espírita.

O Livro dos EspíritosO Livro dos MédiunsO Evangelho Segundo o EspiritismoO Céu e o Inferno e A Gênesesão a base para conhecer e estudar a Doutrina Espírita.


domingo, 23 de setembro de 2018


Um sonho com Jesus e o caminho para a vida

 
Ótima palestra proferida pelo psicólogo Marcos Ferreira, no CE D Pedro II, em 19/09/2018.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Religião, Jesus e Espiritismo

Segundo o Espírito Emmanuel, a base da fé está nos primórdios da vida na Terra. Pode-se dizer, esclarece-nos ele, que “[…] o primeiro impulso da planta e do verme, à procura da luz, não é senão anseio religioso da vida, em busca do Criador que lhes instila o ser.” (XAVIER, 2016c, cap. 12 – O serviço religioso). Para Emmanuel, a mais perfeita expressão do Cristo está no primeiro capítulo do Evangelho de João: “No princípio era o Verbo…” (XAVIER, 2016b, cap. 2 – A ascendência do Evangelho), por representar Jesus, o amor e a sabedoria que presidiu a formação da Terra e inspirou divinamente todos os Espíritos elevados que com Ele colaboraram na gênese planetária, e “[…] na disseminação da vida em todos os laboratórios da Natureza, desde que o homem conquistou a racionalidade […]” (XAVIER, 2016b, cap. 2 – A ascendência do Evangelho).
A razão desenvolveu-se gradativamente no ser humano, assim como a ideia de Deus e a ligação com este daquele ser que pouco se diferenciava dos antropoides. Assim,
[…] suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até que, transcorridos os anos, no labirinto dos séculos, vieram entre as populações do orbe os primeiros organizadores do pensamento religioso que, de acordo com a mentalidade geral, não conseguiram escapar das concepções de ferocidade que caracterizavam aqueles seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. […] (XAVIER, 2016b, cap. 2 – A ascendência do Evangelho).
Os seres humanos primitivos, na Terra, eram orientados por Espíritos Superiores, aos quais consideravam deuses, a quem cultuavam com oferendas e para quem construíam altares e templos. Como não compreendiam “[…] Deus como a fonte da bondade […]” (KARDEC , 2017, q. 669), e por imaginarem que havia várias divindades, julgavam agradá-las com o sacrifício de animais e mesmo de seres humanos, pois ainda não tinham desenvolvido o senso moral.
Comentando as mais antigas organizações da religião, na Terra, Emmanuel cita a China, a “Índia védica” e bramânica, a qual deu origem ao Budismo, e ainda o culto aos mortos, criado pelos egípcios, a mitologia grega e o surgimento dos “grandes mestres”, com sua doutrina exotérica destinada ao povo, em geral, e os ensinamentos esotéricos, reservados apenas aos iniciados (XAVIER, 2016a, cap. 3 – As raças adâmicas).
Com Moisés, surgiu a ideia do Deus único. Ao politeísmo, sucedeu-se, portanto, o monoteísmo, que trouxe para o mundo o conhecimento definitivo de um só Deus, Criador Supremo de todas as coisas e, segundo Jesus, nosso Pai, que, como nos ensinaria, mais tarde, o Espiritismo, entre outras coisas, é “[…] eterno, infinito, imutável, material, único, onipotente, soberanamente justo e bom […]” (KARDEC, 2017, q. 13). Porém, a ideia da sobrevivência da alma, após o decesso do corpo, era incerta para as massas. Sobre essa questão e a crença nas penas e recompensas, após a morte física, Allan Kardec esclarece-nos o seguinte:
Todas as religiões admitiram igualmente o princípio da felicidade ou da infelicidade da alma após a morte, ou, por outra, as penas e gozos futuros, que se resumem na doutrina do céu e do inferno encontrada em toda parte. Porém, no que elas diferem essencialmente, é quanto à natureza dessas penas e gozos, principalmente sobre as condições determinantes de umas e de outras. Daí os pontos de fé contraditórios dando origem a cultos diferentes, e os deveres particulares impostos por estes para honrar a Deus e, por esse meio, ganhar o céu e evitar o inferno. (KARDEC, 2016b, Pt. 1, cap. 1, it. 11).
As religiões, de início, tiveram suas bases criadas por seres humanos. Estes, embora se destacassem dos demais por sua inteligência e moral mais desenvolvidas, ainda eram muito influenciados pelas paixões grosseiras. Desse modo, suas teorias filosóficas e morais, mesmo sendo fundamentadas em revelações mediúnicas, não possuíam perfeita correspondência na prática. É o que ocorreu com a revelação a Moisés da ideia do Deus único e sua Lei de Amor expressa nos Dez Mandamentos, em oposição a diversas leis civis ou disciplinares daquele profeta, cuja finalidade era conter os atos brutais do povo de sua época.
Seres predominantemente materiais, os homens, em geral, ainda possuíam, como ainda possuem, limitações na compreensão real da necessidade de sobrepor as coisas espirituais à influência da matéria. Desse modo, a maior parte dos deveres religiosos, mesmo na atualidade, baseia-se no cumprimento de fórmulas exteriores e numa fé sem questionamentos.
Em sua sabedoria, Deus já designara Jesus Cristo para presidir a formação e governar a Terra. Esse é o Espírito Perfeito, Messias Divino, cuja presença entre nós fora anunciada por diversos profetas. O primeiro a anunciá-lo foi Jeová a Moisés, como está em Deuteronômio, 18:18: “Vou suscitar para eles [os hebreus] um profeta como tu, do meio dos seus irmãos. Colocarei as minhas palavras em sua boca e ele lhes comunicará tudo o que eu lhe ordenar”.
Temos também as predições de Isaías, 7:14, continuando em Jeremias, 23:5, Oseias, 6:3, Miqueias, 5:1, Malaquias, 3:1 e, por fim, João Batista (Mateus,3: 1 a 3). O último profeta do Antigo Testamento, Malaquias, 3:1, cita as seguintes palavras de Jeová sobre Jesus: “Eis que enviarei o meu mensageiro para que prepare um caminho diante de mim. Então, de repente, entrará em seu Templo o Senhor que vós procurais; o Anjo da Aliança, que vós desejais, eis que Ele vem […]”.
Malaquias também se refere a João Batista, reencarnação de Elias, em (4:5 e 6): “Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia do Senhor; Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais […]”.
Esclarece-nos o Espírito Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier:
A manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes. Começava a era definitiva da maioridade espiritual da humanidade terrestre, uma vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações. (XAVIER, 2016a, cap. 12 – A vinda de Jesus, it. A manjedoura).
Também o profeta, poeta e rei Davi, de quem se dizia que dele descenderia Jesus, anuncia a vinda do Cristo, chamado “unigênito” por não ter pecados, como nós, em dois dos seus salmos. O primeiro é o Salmos, 2:7: “Publicarei o decreto de Deus, que me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”. O segundo  é o Salmos, 110:1: “Disse Deus ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo dos teus pés”.
E Jesus, ensinando no templo, repete a frase de Davi, discordando dos que o consideravam descendente deste: “Como podem os escribas dizer que o Messias é filho de Davi? […] O próprio Davi o chama Senhor, como pode, então, este ser filho daquele?” (Marcos, 12: 35 e 37).
A linhagem crística não se deu na Terra. Ele faz parte da “[…] comunidade de Espíritos puros e eleitos pelo Senhor supremo do Universo […]”, como está no primeiro capítulo de A caminho da luz, obra psicografada por Chico Xavier (XAVIER, 2016a, cap. 1 – A gênese planetária, it. A comunidade dos Espíritos puros). O Senhor foi “[…] o Verbo da criação do princípio, como é e será a coroa gloriosa dos seres terrestres na imortalidade sem fim. […]” (XAVIER, 2016a, cap. 1 – A gênese planetária, it. O Verbo na criação terrestre).
Emmanuel aduz que: “Sob a orientação misericordiosa e sábia do Cristo, laboravam na Terra numerosas assembleias de operários espirituais.” (XAVIER, 2016a, cap. 2 – A vida organizada, it. As construções celulares). Ninguém, a não ser Deus, realiza nada de grandioso sem o auxílio do próximo. Por isso, o Messias, em sua humildade exemplar, chama-nos de irmãos e escolheu doze apóstolos para o auxiliarem em sua missão na Terra.
Jesus é, portanto, o Filho de Deus, “[…] o verbo de luz e de amor do princípio, cuja genealogia se confunde na poeira dos sóis que rolam no infinito.” (XAVIER, 2016a, cap. 3 – As raças adâmicas, it. As promessas do Cristo). Tendo sido designado por Deus para a formação e governo da Terra, e, como afirmou, existindo muito antes de Davi, não poderia, pois, ser descendente deste.
A base das religiões assenta-se no trabalho do Cristo, de acordo, ainda, com Emmanuel:
Em todos os grandes períodos da evolução religiosa, antes do Cristo, vemos as demonstrações incompletas da espiritualidade. Não há padrões absolutos de perfeição moral, indicando aos homens o caminho regenerador e santificante. Aparecem linhas divisórias entre raças e castas, com vários tipos de louvor e humilhação para ricos e pobres, senhores e escravos, vencedores e vencidos. Com Jesus, no entanto, surge no mundo o vitorioso coroamento da fé. No Cristianismo, recebemos as gloriosas sementes de fraternidade que dominarão os séculos. O divino Fundador da Boa-Nova entra em contato com a multidão e o santuário do amor universal se abre, iluminado e sublime, para a santificação da Humanidade inteira (XAVIER, 2016c, cap. 12 – O serviço religioso).
Em sua presciência, o Messias Divino sabia que a Humanidade precisaria de uma terceira e definitiva revelação, já não mais de uma individualidade encarnada, mas dos próprios Espíritos, seus emissários. Tais entidades incluíam até mesmo seus apóstolos, aos quais se uniriam grandes missionários então desencarnados, como São Luís, Santo Agostinho, Sócrates, Platão, Paulo entre outros. Sob a direção espiritual suprema de Jesus, representado pelo Espírito de Verdade, recebemos desses Espíritos as mais consistentes provas de nossa imortalidade, tendo por meta a perfeição.
O Espiritismo, Consolador Prometido por Jesus Cristo, confirma seu anúncio de que voltaria para ficar eternamente conosco, como lemos em João, 14:16 a 18, quando somos informados de que Deus nos enviaria o Consolador definitivo. As palavras de Jesus são-nos retransmitidas, mediunicamente, em quatro belas e profundas mensagens do Espírito de Verdade, no capítulo 6 – O Cristo Consolador de O evangelho segundo o espiritismo.
Na primeira, somos informados de que o Espiritismo, como outrora suas palavras, vem lembrar-nos sobre a grandeza e a bondade de Deus. Este não quer o aniquilamento da raça humana e, sim, a comunicação dos Espíritos conosco, para que a certeza da sobrevivência da alma, após a morte do corpo físico, nos auxilie a desenvolver a virtude e, pelo amor e instrução, possamos exercitar a compaixão e o auxílio ao próximo.
A segunda mensagem se destina a “consolar os pobres deserdados”, pedir-lhes resignação e esperança ante suas provas. O Cristo afirma que são seus “bem-amados” todos aqueles que “carregam seus fardos e assistem os seus irmãos”. Por fim, informa que a perfeição é fruto do esforço pessoal de quem bebe “na fonte viva do amor”.
Na terceira mensagem, o Espírito de Verdade diz que Jesus é “o grande médico das almas” e seu medicamento é o “supremo apelo” divino aos nossos corações por meio do Espiritismo. Faz-nos, então, esta sublime exortação:
[…] Que a impiedade, a mentira, o erro e a incredulidade sejam extirpados de vossas almas doloridas. São monstros que sugam o vosso mais puro sangue e que vos abrem chagas quase sempre mortais. Que, no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis a sua Lei Divina. Amai e orai; sede dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo de vossos corações. Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes” (KARDEC, 2016a, cap. 6, it. 7).
Por fim, Jesus, pelo Espírito de Verdade, apela-nos para o devotamento e a abnegação, que resumem a “sabedoria humana”. E conclui com estas palavras extraordinárias, às quais devemos dedicar toda a atenção e esforçar-nos para fazer delas um hino de amor e prática permanentes, a fim de nos libertarmos do mal e nos tornarmos verdadeiramente cristãos:
[…] Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao espírito e resignação.O coração bate melhor, a alma se asserena e o corpo já não sente desfalecimentos, porque o corpo sofre tanto mais, quanto mais profundamente o espírito é golpeado. (XAVIER, 2016a, cap. 6, it. 8).
O Espiritismo, como tem sido dito, não é e não pretende ser a religião do futuro, e, sim, o futuro das religiões. É o que se deduz de diversas afirmações de Kardec, em especial desta:
Instintivamente, o homem acredita no futuro, mas não possuindo até agora uma base certa para o definir, a sua imaginação há concebido sistemas que originaram a diversidade de crenças. A Doutrina Espírita sobre o futuro, não sendo uma obra de imaginação mais ou menos arquitetada engenhosamente, porém o resultado da observação de fatos materiais que se desdobram hoje à nossa vista, congregará, como já está acontecendo, as opiniões divergentes ou vacilantes e trará gradualmente, pela força das coisas, a unidade de crenças sobre esse ponto, crença que já não se baseará em simples hipótese, mas na certeza. A unificação feita relativamente à sorte futura das almas será o primeiro ponto de contato entre os diversos cultos, um passo imenso para a tolerância religiosa em primeiro lugar e, mais tarde, para a completa fusão. (KARDEC, 2016b, Pt. 1, cap. 1, it. 14).
Para concluir, comentamos a seguinte exortação de Emmanuel:
[…] estudemos Allan Kardec, ao clarão da mensagem de Jesus Cristo, e, ou no exemplo ou na atitude, na ação ou na palavra, recordemos que o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação. (XAVIER; VIEIRA, 2015, cap. 40 – Socorro oportuno).
E nada promove melhor o Espiritismo do que nosso devotamento e abnegação, propostos pelo Espírito de Verdade, na realização do nosso trabalho de fé autêntica, como novos discípulos do Cristo, instaurando a Era ecumênica de paz, amor ao próximo e justiça social no mundo.
REFERÊNCIAS:
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2016a.
______. O céu e o inferno. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2016b.
______. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2017.
XAVIER, Francisco C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. 38. ed. 5. imp. Brasília: FEB, 2016a.
______. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 5. imp. Brasília: FEB,2016b.
______. Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel. 14. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2016c.
XAVIER, Francisco C.; VIEIRA, Waldo. Estude e viva. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 14. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2015.

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